3 de janeiro de 2011

Um sonho realizado

Obs: Essa é uma história fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.



            A igreja estava quase vazia. Nos bancos de madeira enfeitados com rosas vermelhas algumas pessoas aguardavam pacientemente o início da cerimônia.
            Alguns convidados estavam presentes de boa vontade e desejavam votos sinceros de felicidade para o novo casal que ali ia se formar, outros não disfarçavam a impaciência e o desdém para o que sabiam que logo iria acontecer. Suas expressões denunciavam a perda de esperanças diante do inevitável.
            Enquanto o noivo aguardava no altar, ao lado do padre, ansioso pelo acontecimento que julgava ser o mais importante de sua vida, o outro noivo, com a mesma sensação, acabava de chegar à porta da igreja.
Isso mesmo!  O casal norte-americanos Josh e Taylor decidiram enfrentar a sociedade preconceituosa e realizaram o sonho da vida de ambos: casaram do modo tradicional, com direito à igreja, padrinhos, festa e lua-de-mel.
            Ambas as famílias sabiam do relacionamento, porém, não aprovavam e nem desaprovavam. Ficaram descontentes com a notícia, mas mesmo assim compareceram no casamento, alguns a contragosto.
            Os amigos foram prestigiá-los com alegria e animação  e foram eles que ao tocar da marcha nupcial levantaram ansiosos e emocionados para assistirem ao grande dia daquelas almas que se amavam de verdade.
            Josh estava à espera no altar e Taylor entrou na igreja sozinho. Com ternos iguais de cor amarela e com uma rosa vermelha na capela se destacavam dos ternos e smokigns tradicionais pretos que seus convidados trajavam.
            Trocaram um beijo simples quando se encontraram e se dirigiram ao altar. Seus pensamentos estavam ao mesmo tempo presentes e longe dali. Lembravam de cada dificuldade e preconceito que haviam passado para vivenciarem aquele momento. Frases como "isso nunca dará certo" e "vocês realmente sabem o que querem?" passaram pelas suas lembranças.
            No final, tiveram certeza que o que idealizavam era o certo a ponto de arriscarem serem motivos de chacotas e terem suas vidas pessoais invadidas pela curiosidade de pessoas que não gostam de ver a felicidade alheia.

            Com preconceito, história, amor, esperança e desumanidade vivemos cada dia. Mas, gostaríamos mesmo que todos se vissem como realmente são!



Letícia Iambasso

2 comentários:

Marc Nader disse...

Esse sim eh um texto da Leticia q eu conheçoo....mui bueno, seniorita..

Sobre todas as partes de mim disse...

Não creio que seja uma história fictícia, é o relato real das dificuldades enfrentadas por qualquer um que se mostre diferente do que a sociedade espera. O mundo em si parece fictício. Enquanto muitos procuram se desfazer do que nada lhes deveria ferir, como a sexualidade alheia, ignoram o que fere olhos, alma e coração, como a desigualdade social. Para nós basta acreditarmos que um dia será diferente. Talvez a vitória não venha agora, mas um dia ela vai chegar. Afinal, o Brasil é o "País do Futuro".